Dissecções da Aorta

Cirurgião Cardiovascular

O que é dissecção da aorta?


A dissecção da aorta é uma emergência cardiovascular grave que ocorre quando há uma ruptura na camada interna da parede da aorta, permitindo que o sangue penetre entre suas camadas e forme um falso lúmen. A dissecção pode comprometer o fluxo sanguíneo para órgãos e, em casos graves, provocar ruptura da aorta, hemorragia interna, falência de órgãos e morte.


A dissecção pode atingir diferentes segmentos da aorta e se estender ao longo de seu trajeto. Para definir o tratamento, uma das classificações mais utilizadas é a de Stanford, que divide as dissecções em tipo A, quando a aorta ascendente está envolvida, e tipo B, quando a aorta ascendente não está envolvida.


A pressão exercida pelo sangue a cada batimento cardíaco aumenta o estresse sobre a parede da aorta. Quando essa parede está enfraquecida, fatores como hipertensão, aneurisma e determinadas doenças genéticas podem aumentar o risco de dissecção.


A dilatação é um grande fator de risco para a dissecção, por causar enfraquecimento progressivo da parede da aorta, podendo ser necessária intervenção com o objetivo de impedir tal fato.

Diagrama de dissecção aórtica, mostrando o fluxo sanguíneo através de uma aorta com ruptura. As setas indicam a direção do fluxo sanguíneo.
Diagrama ilustrando as classificações de dissecção aórtica. A aorta é mostrada, com as classificações de Stanford e DeBakey para diferentes tipos de dissecção.

Causas e Fatores de Risco


As causas mais comuns para rompimento da aorta são:

  • Idade acima de 60 anos
  • Hipertensão arterial crônica
  • Doenças genéticas (ex: síndrome de Marfan)
  • Aneurismas da aorta pré-existentes
  • Inflamações da aorta (aortite)
  • Gravidez (mais raro)
  • Uso prolongado de corticóides
  • História familiar ou predisposição genética


Sintomas da Dissecção da Aorta


A dissecção costuma ter início súbito e pode se manifestar com:

  • Dor torácica ou dorsal intensa (como uma “facada”)
  • Dor abdominal persistente
  • Falta de ar
  • Perda de consciência ou sensação de desmaio
  • AVC ou sintomas neurológicos
  • Paraplegia (paralisia das pernas)
  • Rouquidão ou dificuldade de falar
  • Hipotensão arterial grave


Em alguns casos, a dissecção pode ser silenciosa e detectada apenas por exames de imagem.


Quais são os tipos de dissecção da aorta?


A classificação de Stanford divide a dissecção da aorta em dois tipos principais:


Tipo A
: envolve a aorta ascendente e geralmente exige avaliação cirúrgica imediata devido ao risco de complicações graves.

Tipo B: não envolve a aorta ascendente. Nos casos não complicados, o tratamento clínico costuma ser a abordagem inicial. Quando há complicações ou características de alto risco, pode ser indicada intervenção, frequentemente por técnica endovascular quando a anatomia é adequada.


A classificação do tipo de dissecção é fundamental para definir a estratégia de tratamento.

Como é diagnosticada?


O diagnóstico exige avaliação médica urgente e uso de exames de imagem como:

  • Tomografia computadorizada com contraste (angiotomografia)
  • Ressonância magnética da aorta
  • Ecocardiograma transtorácico e transesofágico 3D
  • Exames laboratoriais e avaliação clínica


A tomografia é o exame de escolha na maioria dos casos, sendo essencial para indicar o tipo de tratamento mais adequado.

Representação médica 3D de um torso humano, mostrando o esqueleto e o sistema circulatório de cor vermelha, incluindo o coração, aorta, rins e artérias relacionadas.
Corte transversal de uma artéria com revestimento interno, ilustrando uma ruptura.

Qual o tratamento para dissecção da aorta?


A escolha do tratamento para dissecção da aorta depende do tipo de dissecção, do segmento da aorta envolvido, do tempo de evolução, da estabilidade clínica e da presença de complicações. O controle da pressão arterial e da frequência cardíaca faz parte do tratamento inicial, enquanto os casos que apresentam indicação de intervenção devem ser avaliados por uma equipe especializada.


Tratamento clínico

O tratamento clínico inclui o controle rigoroso da pressão arterial e da frequência cardíaca, além do acompanhamento por exames de imagem. Ele é especialmente importante nos casos de dissecção tipo B não complicada e pode fazer parte do cuidado de longo prazo após a intervenção.

Cirurgia Convencional (Tipo A – Aorta Ascendente e Arco)

  • Abertura do tórax (esternotomia)
  • Substituição do segmento dissecado por prótese de Dacron
  • Pode incluir reparo ou troca da válvula aórtica (Bentall)
  • Requer circulação extracorpórea
  • Alta complexidade, mas com alto índice de sucesso em centros especializados
Diagrama da cirurgia de reparo do arco aórtico, mostrando as etapas desde a aorta danificada até a colocação de um enxerto.

Tratamento Endovascular (Tipo B – Aorta Descendente)

  • Acesso pela virilha com cateter (técnica minimamente invasiva)
  • Implante de stent (endoprótese) para excluir a dissecção
  • Sem necessidade de abrir o tórax
  • Internação média de 2 dias
  • Retorno às atividades em 5 a 7 dias


As dissecções do tipo B da classificação de Stanford (aorta descendente e abdominal) são habitualmente tratados com técnica endovascular, visando reduzir o risco de complicações e abreviar a recuperação do paciente.


Na técnica endovascular uma endoprótese (Stent de Aorta) é inserido por uma artéria na perna (artéria femoral) por meio de punção e posicionado por dentro do segmento doente da aorta com ajuda de equipamentos de raios X, especialmente desenvolvidos para este fim, e ecocardiograma com o objetivo de excluir da circulação o segmento doente da aorta redirecionando o fluxo de sangue.


Casos selecionados de dissecção tipo A também podem ser tratados por via endovascular com avaliação multidisciplinar

O que é o tratamento endovascular?


É uma técnica moderna que utiliza cateteres finos inseridos pela virilha para conduzir um stent (endoprótese) até o local da dissecção. Com isso:

  • O fluxo de sangue é redirecionado para o interior do stent
  • A parede da aorta é protegida
  • O risco de ruptura ou progressão da dissecção é reduzido


A técnica é segura, eficaz e permite recuperação mais rápida do que a cirurgia convencional.


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Diagrama da aorta com um stent endovascular. Aorta em vermelho com um stent posicionado para corrigir um aneurisma.
Mãos enluvadas segurando um stent médico cilíndrico com malha e padrão em zigue-zague.

Inovação: EndoBentall


O Prof. Dr. Diego Gaia foi responsável pelo desenvolvimento e implantação da técnica EndoBentall, que combina tratamento endovascular da válvula aórtica e da aorta ascendente em um só procedimento, sendo uma referência nacional e internacional em congressos e publicações científicas.

Como funciona o procedimento?


  • Realizado em sala cirúrgica híbrida com equipe multiprofissional (Heart Team)
  • Anestesia local ou geral
  • Cateter guiado por imagens de raio-X e ecocardiografia
  • Liberação do stent no local exato da dissecção
  • Internação de 24–48h, com alta precoce
Uma sala de cirurgia moderna e bem iluminada com equipamento cirúrgico, monitores e uma mesa para pacientes.

Benefícios do Tratamento Endovascular


  • Redução da mortalidade em relação à cirurgia convencional
  • Rápida recuperação e menor tempo de internação
  • Alívio imediato dos sintomas
  • Menor risco de sangramento e infecção
  • Preservação da função cardíaca e melhora da capacidade funcional
  • Melhora significativa da qualidade de vida

Após o procedimento


O paciente:

  • É acompanhado com ecocardiogramas e tomografias seriadas
  • Recebe orientação para reabilitação cardiovascular
  • Participa de programa de acompanhamento com cardiologistas e cirurgiões
  • Recebe um relatório detalhado do procedimento para uso com outros profissionais de saúde


⚠️ O tratamento não termina com o implante. Acompanhamento de longo prazo é essencial.

Por que tratar com o Prof. Dr. Diego Gaia?


O Prof. Dr. Diego Gaia é referência em cirurgia cardiovascular, com certificação em todas as vias de acesso. É responsável pelo centro de treinamento da UNIFESP – Escola Paulista de Medicina, pioneiro no uso de técnicas como o EndoBentall.


Sua equipe oferece planejamento individualizado, diagnóstico preciso e segurança em todas as etapas do cuidado.

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Perguntas Frequentes


  • Toda dissecção da aorta precisa de cirurgia?

    Não. O tratamento depende do tipo de dissecção, da localização, da presença de complicações e das condições clínicas do paciente. Dissecções tipo A geralmente exigem avaliação cirúrgica imediata, enquanto casos tipo B não complicados podem ser tratados inicialmente com controle clínico.


  • Quando a dissecção tipo B precisa de tratamento endovascular?

    O tratamento endovascular pode ser indicado quando a dissecção tipo B apresenta complicações, como ruptura, comprometimento do fluxo para órgãos, progressão da dissecção, aumento da aorta, dor persistente ou hipertensão não controlada, desde que a anatomia seja adequada.


  • Qual é a diferença entre dissecção e aneurisma da aorta?

    O aneurisma é uma dilatação anormal da parede da aorta, enquanto a dissecção ocorre quando uma ruptura na camada interna permite que o sangue penetre na parede e separe suas camadas. Um aneurisma pode aumentar o risco de dissecção, mas as duas condições não são sinônimas.


  • A dissecção da aorta pode voltar depois do tratamento?

    Sim. Mesmo após cirurgia ou tratamento endovascular, alguns pacientes precisam de acompanhamento por toda a vida com exames de imagem para monitorar a aorta e identificar alterações ou progressão da doença.


  • Quanto tempo leva a recuperação após o tratamento?

    O período de recuperação varia de acordo com o tipo de dissecção, a técnica utilizada e as condições clínicas do paciente. Procedimentos endovasculares costumam permitir recuperação mais rápida do que cirurgias abertas, mas o acompanhamento médico continua sendo necessário.


  • O Dr. Diego Gaia realiza esse tipo de tratamento?

    O Prof. Dr. Diego Gaia atua no tratamento cirúrgico e endovascular das doenças da aorta, incluindo casos complexos que exigem avaliação individualizada e planejamento por equipe multidisciplinar.


  • Como agendar uma avaliação urgente?

    Em caso de dor súbita e intensa no peito, nas costas ou no abdome, especialmente associada a falta de ar, desmaio ou sintomas neurológicos, é necessário procurar imediatamente um serviço de emergência. Para avaliação especializada após o atendimento inicial, entre em contato com a equipe do Prof. Dr. Diego Gaia para verificar as possibilidades de agendamento.


Sobre o médico

Prof. Dr. Diego Gaia


Cirurgião Cardiovascular | CRM-SP 107683 | RQE 61429


Professor e chefe do Setor de  Doenças Estruturais do Coração da Disciplina de Cirurgia Cardiovascular da Universidade Federal de São Paulo. com doutorado pela Escola Paulista de Medicina. Possui MBAs de Harvard e Insper SP, especializações em cirurgia minimamente invasiva na Bélgica e cirurgia robótica nos EUA. Coordena o setor de Cardiologia do Hospital Santa Catarina e Cirurgia Cardiovascular do Hospital AC Camargo. Reconhecido em 2019 pelo PCR London Valves por uma técnica inovadora, é Certificado por sociedades brasileiras em Cirurgia Cardiovascular e implante de próteses e soma mais de 1000 implantes realizados e técnicas pioneiras.


Destaques
  • Doutor pela Unifesp
  • Certificação em Cirurgia Robótica 
  • Certificado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular
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