Tratamento da Comunicação Interatrial (CIA)

A Comunicação Interatrial (CIA) é uma alteração cardíaca congênita que consiste em uma abertura no septo que separa os átrios direito e esquerdo. Embora possa evoluir sem sintomas por longos períodos, o tratamento da comunicação interatrial é fundamental para evitar a sobrecarga cardíaca e o surgimento de complicações graves.


O que é a Comunicação Interatrial (CIA)?


A Comunicação Interatrial é um defeito congênito caracterizado por um orifício no septo interatrial (parede divisória entre a cavidade superior direita e a cavidade superior esquerda do coração). Essa abertura resulta de uma falha no fechamento do septo durante a formação embrionária.

Com a presença dessa abertura, ocorre uma passagem anormal de sangue rico em oxigênio do átrio esquerdo para o átrio direito. Essa mistura de sangue aumenta o fluxo sanguíneo enviado aos pulmões e ao lado direito do coração, o que, ao longo do tempo, pode comprometer a estrutura e o funcionamento do sistema cardiovascular.


Quais são os sintomas da Comunicação Interatrial?


Muitas pessoas com essa condição permanecem assintomáticas por anos, sendo o problema descoberto casualmente durante exames de rotina ou ao investigar um sopro cardíaco. 

No entanto, a comunicação interatrial em adultos costuma manifestar sinais à medida que a sobrecarga cardíaca e pulmonar progride. Os principais sintomas que podem surgir dependendo das características do caso incluem:

  • Falta de ar aos esforços;
  • Cansaço e fadiga progressiva;
  • Palpitações;
  • Inchaço nas pernas (edema);
  • Infecções pulmonares frequentes;
  • Arritmias cardíacas (como a fibrilação atrial);
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou eventos neurológicos causados por embolia.


Quando o tratamento da Comunicação Interatrial é indicado?


O tratamento da CIA no coração nem sempre exige intervenção imediata, pois pequenos defeitos sem repercussão hemodinâmica podem requerer apenas monitoramento. 

A indicação para realizar o fechamento de CIA surge quando são identificados fatores como:

  1. Aumento das dimensões e repercussão no coração: evidência de aumento das cavidades direitas ou sobrecarga de fluxo para os pulmões.
  2. Presença de sintomas: manifestações como cansaço, falta de ar, arritmias ou episódios prévios de embolia.
  3. Prevenção de complicações a longo prazo: risco acrescido de hipertensão pulmonar (que pode se tornar irreversível se não tratada), arritmias persistentes ou insuficiência cardíaca.


A decisão sobre quando e como tratar se baseia-se na avaliação especializada realizada pelo cirurgião cardiovascular. 


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Como é feito o fechamento da CIA por cateter?


O fechamento de CIA por cateter é uma abordagem percutânea e minimamente invasiva projetada para corrigir o defeito sem a necessidade de cirurgia aberta. O procedimento funciona da seguinte forma:

  • Uma prótese especial de oclusão (como Amplatzer® ou Cardioform - Gore®) é comprimida dentro de um tubo fino e flexível chamado cateter.
  • O cateter é introduzido e guiado até o coração.
  • Com o auxílio de exames de imagem em tempo real (como a fluoroscopia (raio-X) e o ecocardiograma transesofágico), o médico confirma as medidas do orifício e posiciona a prótese no local correto.
  • A prótese é então liberada, vedando a abertura. O correto funcionamento e posicionamento são verificados imediatamente antes de remover o sistema.

Realizado sob anestesia local ou geral (dependendo das condições clínicas do paciente), o procedimento dura em média 1 hora. 

A viabilidade do fechamento de comunicação interatrial por via percutânea depende das características anatômicas da abertura e das bordas de tecido ao redor.


Fechamento por cateter ou cirurgia: qual a diferença?


A escolha da técnica ideal para o tratamento da comunicação interatrial é individualizada, levando em conta o tipo de CIA, a anatomia das bordas e a condição de saúde do paciente.

  • Fechamento percutâneo (por cateter): técnica minimamente invasiva feita pela inserção de uma prótese vedadora via vaso sanguíneo. Apresenta tempo reduzido de internação (geralmente de 1 a 2 dias), menor risco de intercorrências, retorno às atividades em cerca de 5 a 7 dias e excelente resultado estético por não deixar cicatrizes no tórax.
  • Tratamento cirúrgico: indicado principalmente para casos em que a anatomia da lesão não permite a fixação segura da prótese por cateter. Pode ser realizado por acesso minimamente invasivo (lateral ou robótico) com o auxílio de circulação extracorpórea (máquina coração-pulmão), fazendo-se a sutura direta da abertura ou o uso de um retalho de material protético.

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Quais exames são necessários antes do tratamento?


O planejamento adequado da intervenção exige a realização de exames de imagem detalhados. Eles permitem confirmar a presença da CIA, medir o diâmetro do defeito, avaliar a direção do fluxo sanguíneo e examinar a anatomia das cavidades cardíacas.

Os exames frequentemente solicitados incluem:

  • Ecocardiograma transtorácico: exame inicial para visualização das estruturas do coração.
  • Ecocardiograma transesofágico com contraste (bubble test): proporciona imagens nítidas da abertura e ajuda a detectar pequenas passagens de bolhas de ar entre os átrios.
  • Ecocardiograma tridimensional (3D): permite uma análise volumétrica detalhada do defeito.
  • Ressonância magnética cardíaca: utilizada para avaliação precisa de volumes e fluxos cardíacos quando necessário.


Como é a recuperação após o fechamento da Comunicação Interatrial?


Em procedimentos de fechamento de CIA por cateter, o tempo de internação hospitalar costuma ser curto, variando entre 1 a 2 dias. O paciente geralmente consegue retornar às suas atividades habituais no período de 5 a 7 dias.

Após o procedimento, os cuidados e o acompanhamento pós-operatório incluem:

  • Acompanhamento periódico com o cardiologista;
  • Realização de ecocardiogramas de controle para monitorar a prótese;
  • Entrega de um relatório médico detalhado ao paciente para partilha com outros profissionais de saúde;
  • Orientações nutricionais e reabilitação cardiovascular, quando indicadas pelo médico.


Quais são os benefícios e riscos do tratamento da CIA?


A correção adequada da abertura traz ganhos expressivos para a saúde e a qualidade de vida:

  • Redução drástica do risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e embolias;
  • Prevenção e controle de arritmias cardíacas;
  • Prevenção do desenvolvimento de hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca;
  • Alívio dos sintomas de fadiga e falta de ar;
  • Alta taxa de sucesso e excelente resultado estético no caso da via percutânea.


Riscos a considerar

Como qualquer procedimento médico ou cirúrgico, o tratamento apresenta riscos, os quais são minimizados mediante indicação precisa, uso de tecnologias avançadas e atuação de equipe especializada. 

Todos os potenciais riscos e benefícios são amplamente discutidos entre o médico e o paciente durante as consultas prévias.

Cuide do seu coração com quem é referência na área.


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Perguntas frequentes (FAQ)


A Comunicação Interatrial sempre precisa de tratamento?


Não. A necessidade de intervenção depende do tamanho do orifício, da presença de sintomas e da repercussão sobre o funcionamento do coração e dos pulmões. Casos pequenos e assintomáticos podem exigir apenas acompanhamento regular.


Quando é indicado fechar uma CIA?


O fechamento é indicado quando há sobrecarga de volume nas cavidades direitas do coração, hipertensão pulmonar, sintomas evidentes (como falta de ar ou arritmias) ou histórico de eventos embólicos.


É possível fechar a Comunicação Interatrial por cateter?


Sim. Grande parte dos casos pode ser tratada por meio do procedimento percutâneo, no qual uma prótese é posicionada no orifício por meio de um cateter, desde que a anatomia do defeito seja favorável.


Quanto tempo dura o procedimento de fechamento da CIA?


O procedimento percutâneo para o fechamento da CIA leva, em média, cerca de 1 hora para ser concluído.


Como é a recuperação depois do fechamento da CIA?


No fechamento por cateter, a recuperação é rápida. O período de internação varia de 1 a 2 dias, e o paciente costuma retornar às suas atividades habituais dentro de 5 a 7 dias, devendo manter o acompanhamento cardiológico de rotina.


Quais exames são feitos antes do procedimento?


Os exames solicitados incluem o ecocardiograma transtorácico, o ecocardiograma transesofágico com teste de bolhas (bubble test), o ecocardiograma 3D e, quando indicado, a ressonância magnética cardíaca.]



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Por que operar com o Prof. Dr. Diego Gaia?


O Prof. Dr. Diego Gaia é cirurgião cardiovascular certificado, professor da UNIFESP (Escola Paulista de Medicina)e referência nacional em tratamento de aneurismas da aorta por via aberta e endovascular.


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O Prof. Dr. Diego Gaia é referência em técnicas endovasculares inovadoras, coordenando o centro de treinamento da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, com reconhecimento internacional em procedimentos de ponta.

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Sobre o médico

Prof. Dr. Diego Gaia


Cirurgião Cardiovascular | CRM-SP 107683 | RQE 61429


Professor e chefe do Setor de  Doenças Estruturais do Coração da Disciplina de Cirurgia Cardiovascular da Universidade Federal de São Paulo. com doutorado pela Escola Paulista de Medicina. Possui MBAs de Harvard e Insper SP, especializações em cirurgia minimamente invasiva na Bélgica e cirurgia robótica nos EUA. Coordena o setor de Cardiologia do Hospital Santa Catarina e Cirurgia Cardiovascular do Hospital AC Camargo. Reconhecido em 2019 pelo PCR London Valves por uma técnica inovadora, é Certificado por sociedades brasileiras em Cirurgia Cardiovascular e implante de próteses e soma mais de 1000 implantes realizados e técnicas pioneiras.


Destaques
  • Doutor pela Unifesp
  • Certificação em Cirurgia Robótica 
  • Certificado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular
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