Cirurgia menos invasiva da válvula: quando esse tratamento pode ser indicado?

Apoana • 23 de julho de 2026

A cirurgia menos invasiva da válvula representa um dos maiores avanços da cirurgia cardiovascular nas últimas décadas. Graças à evolução das técnicas cirúrgicas e dos procedimentos por cateter, hoje é possível tratar diversas doenças da válvula cardíaca com menor trauma ao organismo, recuperação mais rápida e excelentes resultados clínicos em pacientes selecionados.

No entanto, nem todos os casos podem ser tratados da mesma forma. A escolha entre uma cirurgia convencional, uma cirurgia valvar menos invasiva ou um procedimento como o TAVI depende de diversos fatores, como o tipo da doença, a válvula afetada, a idade do paciente e suas condições gerais de saúde.

Neste artigo, você entenderá como funciona esse tipo de tratamento para válvula do coração, quando ele pode ser indicado e quais são seus principais benefícios.


O que é cirurgia minimamente invasiva da válvula cardíaca?

A cirurgia minimamente invasiva da válvula cardíaca consiste em técnicas que permitem reparar ou substituir uma válvula do coração utilizando incisões menores do que as realizadas na cirurgia convencional.

Enquanto o procedimento tradicional geralmente exige a abertura completa do esterno (osso localizado no centro do tórax), a abordagem minimamente invasiva utiliza pequenas incisões entre as costelas ou técnicas assistidas por vídeo e robótica, reduzindo significativamente o trauma cirúrgico.

Dependendo da doença e da válvula comprometida, também podem ser utilizados procedimentos realizados por cateter, sem necessidade de abrir o tórax, como acontece no implante transcateter de válvula aórtica (TAVI).

Essas técnicas são utilizadas para tratar diferentes doenças valvares, como:

  • Estenose valvar (estreitamento da válvula);
  • Insuficiência valvar (quando ocorre vazamento da válvula);
  • Prolapso da válvula mitral;
  • Degeneração das válvulas cardíacas;
  • Doenças reumáticas que comprometem o funcionamento das válvulas.

O principal objetivo continua sendo o mesmo da cirurgia convencional: restaurar o funcionamento adequado da válvula cardíaca e melhorar a circulação do sangue pelo organismo.


Qual é a cirurgia cardíaca menos invasiva?

Existem diferentes abordagens minimamente invasivas para o tratamento das doenças valvares, e a escolha depende do diagnóstico e das características de cada paciente.


Entre as principais técnicas estão:

  • cirurgia minimamente invasiva por pequena incisão entre as costelas;
  • cirurgia videoassistida;
  • cirurgia cardiovascular robótica;
  • procedimentos transcateter, como o TAVI.


O TAVI (Transcatheter Aortic Valve Implantation) é atualmente uma das técnicas menos invasivas disponíveis para tratar a estenose da válvula aórtica.

Nesse procedimento, uma nova válvula é implantada por meio de um cateter, normalmente introduzido pela artéria da virilha, sem necessidade de abertura do tórax ou retirada da válvula original.

Essa tecnologia revolucionou o tratamento da estenose aórtica, especialmente em pacientes idosos ou que apresentam maior risco para uma cirurgia convencional.

Além disso, a evolução dos estudos científicos ampliou o uso do TAVI para diferentes perfis de pacientes, sempre após avaliação criteriosa por uma equipe especializada.

Já em casos envolvendo a válvula mitral, muitas vezes é possível realizar o reparo da própria válvula por meio de pequenas incisões no tórax, preservando sua estrutura natural sempre que possível.


Quando é indicada o tratamento TAVI?

A indicação do tratamento transcateter da valva aórtica (TAVI) é feita após uma avaliação individualizada realizada por uma equipe multidisciplinar, conhecida como Heart Team, composta por cardiologistas, cirurgiões cardiovasculares e outros especialistas.

De forma geral, o procedimento pode ser indicado para pacientes com estenose aórtica grave que apresentam sintomas ou comprometimento da função cardíaca.


Entre as principais situações em que o TAVI pode ser considerado estão:

  • pacientes idosos;
  • pessoas com risco cirúrgico elevado ou intermediário;
  • pacientes com múltiplas doenças associadas (comorbidades);
  • pacientes que possuem uma prótese biológica previamente implantada e que apresentou desgaste (procedimento valve-in-valve);
  • pacientes de baixo risco cirúrgico, quando há indicação adequada e o procedimento é realizado em centros especializados.


A definição da melhor estratégia depende de exames detalhados, especialmente da tomografia computadorizada e do ecocardiograma, que permitem avaliar a anatomia da válvula, dos vasos sanguíneos e do coração.

Além disso, o histórico clínico, a idade e as condições gerais de saúde também influenciam diretamente na decisão.


Quais são as vantagens dos procedimentos menos invasivos?

As técnicas minimamente invasivas oferecem diversos benefícios quando comparadas à cirurgia tradicional, desde que o paciente seja um candidato adequado ao procedimento.


Entre as principais vantagens estão:

  • incisões menores;
  • menor perda de sangue;
  • menor risco de infecção;
  • menor dor no pós-operatório;
  • preservação da estrutura do tórax em muitos casos;
  • tempo reduzido de internação;
  • recuperação mais rápida;
  • retorno mais precoce às atividades diárias;
  • melhores resultados estéticos devido às cicatrizes menores.


No caso do procedimento TAVI, como não há necessidade de abrir o tórax, muitos pacientes conseguem caminhar já nas primeiras 24 a 48 horas e recebem alta poucos dias após o procedimento, dependendo da evolução clínica.


Existem limitações para esse tipo de tratamento?

Embora a cirurgia valvar menos invasiva ofereça inúmeras vantagens, ela não é indicada para todos os pacientes. Algumas situações podem tornar a cirurgia convencional mais segura ou mais eficaz, como:


  • comprometimento simultâneo de múltiplas válvulas;
  • necessidade de realizar revascularização do miocárdio (cirurgia de ponte de safena);
  • alterações importantes na anatomia cardíaca;
  • infecções ativas das válvulas;
  • calcificações muito extensas em determinadas estruturas.


Por isso, a decisão nunca deve ser baseada apenas na preferência do paciente por um procedimento menos invasivo.

Cada caso deve ser cuidadosamente estudado para que a estratégia escolhida ofereça o maior benefício com o menor risco possível.


A cirurgia da válvula mitral é perigosa?

Como qualquer procedimento cardíaco, a cirurgia da válvula mitral também apresenta riscos. Entretanto, com os avanços da medicina, da anestesia, das técnicas cirúrgicas e dos protocolos de segurança, esses riscos foram significativamente reduzidos.


O risco varia conforme fatores como:

  • idade do paciente;
  • presença de outras doenças;
  • gravidade da lesão valvar;
  • função do coração;
  • experiência da equipe médica.


Sempre que possível, o reparo da válvula mitral é preferível à substituição, pois preserva a válvula natural do paciente, oferece excelente durabilidade e reduz a necessidade de anticoagulação permanente em muitos casos.

Além disso, quando realizado por equipes experientes, o reparo minimamente invasivo pode proporcionar recuperação mais rápida e excelentes resultados a longo prazo.


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O sucesso do tratamento para válvula do coração depende não apenas da tecnologia disponível, mas também da experiência da equipe responsável por indicar e realizar o procedimento. Por isso, contar com um cirurgião cardiovascular especializado em doenças valvares faz toda a diferença na definição da abordagem mais adequada para cada paciente.

O Dr. Diego Gaia é cirurgião cardiovascular, professor e chefe do Setor de Doenças Estruturais do Coração da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Possui formação internacional em cirurgia minimamente invasiva e cirurgia robótica, além de ampla experiência em procedimentos transcateter, como o TAVI, tendo realizado milhares de implantes ao longo de sua carreira.

Cada paciente passa por uma avaliação criteriosa, que considera exames de imagem, histórico clínico, sintomas e características da doença para definir a melhor estratégia de tratamento. Esse cuidado individualizado permite indicar desde procedimentos minimamente invasivos até cirurgias convencionais, sempre priorizando a segurança, a eficácia e a qualidade de vida.

Se você apresenta sintomas como falta de ar, cansaço ou dor no peito, agende uma consulta agora e faça uma avaliação completa.


Perguntas frequentes

1. Cirurgia de válvula no coração tem riscos de morte?

Sim. Como qualquer cirurgia cardíaca, o procedimento apresenta riscos, incluindo complicações graves. A probabilidade varia conforme fatores como idade, estado geral de saúde, tipo de doença valvar e experiência da equipe médica. No entanto, os avanços nas técnicas cirúrgicas, na anestesia e nos cuidados pós-operatórios reduziram esses riscos. 


2. Como é a recuperação pós-cirurgia de válvula mitral?

A recuperação depende da técnica utilizada e das condições clínicas do paciente. Em procedimentos minimamente invasivos, a internação costuma ser menor e o retorno às atividades pode ocorrer mais rapidamente do que na cirurgia convencional. Já nas cirurgias abertas, o tempo de recuperação tende a ser mais longo devido à cicatrização do esterno.


3. Qual é a diferença entre cirurgia e TAVI?

A cirurgia minimamente invasiva utiliza pequenas incisões para acessar diretamente a válvula cardíaca, enquanto o TAVI implanta uma nova válvula por meio de um cateter, geralmente introduzido pela artéria da virilha, sem necessidade de abrir o tórax. A indicação depende da válvula afetada, do diagnóstico e do perfil clínico do paciente.


4. Toda pessoa com doença na válvula cardíaca pode fazer uma cirurgia menos invasiva?

Não. A indicação depende de diversos fatores, como o tipo de doença valvar, a anatomia do coração, a presença de outras doenças cardiovasculares e o estado geral de saúde do paciente. Após uma avaliação detalhada, o cirurgião cardiovascular determina qual técnica oferece o melhor resultado e a maior segurança.



5. Quais sintomas podem indicar a necessidade de tratamento para válvula do coração?

Os sintomas variam conforme a doença e sua gravidade, mas os mais comuns são falta de ar, cansaço excessivo, dor no peito, palpitações, tonturas e desmaios. Porém, em alguns casos, a doença pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais.


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